terça-feira, 14 de setembro de 2010

Ateus e Agnósticos na Internet — Um Brevíssimo Estudo

Ateu anarquista
Afirma que «deus» não existe. Mas cultua Satanás, usa símbolos sagrados pagãos no pescoço e sonha de noite com medo do inferno. São especialistas em apontar as crueldades de «deus», mas de alguma forma celebram as do diabo como atos de rebeldia.
Ateu clássico
Afirma que «deus» não existe porque as teorias que postulam sua existência não têm base factual. Considera que para que possamos considerar algo como existente é preciso primeiro evidência de sua existência e, como não se pode ter evidência da existência de «deus», devemos considerá-lo como não existente. O problema com esse tipo de ateu é que ele é minoritário e quase ninguém entende o que ele escreve.
Agnóstico-ateu
Não considera «deus» como um questionamento pertinente, pelo menos não enquanto não se souber o que seria «deus» (basicamente ele diz isso porque nunca consultou no dicionário o sentido da palavra). A maioria dos ateus são de fato agnóstico-ateus. Tentam escapar da falácia da afirmação negativa afirmando desconhecer alguma afirmação que se sustente logicamente. Aponta as contradições do teísmo como evidências de que «deus» não é conhecido e, portanto, não se deve crer que ele exista. O agnóstico ateu finge que ninguém sabe o que é «deus» a fim de poder parecer mais lógico, mais sábio, mais fofucho e mais vitaminado.
Agnóstico-filósofo
Considera «deus» uma questão de grande importância, sobre a qual, infelizmente, nada se pode saber, mas sobre a qual ele adora falar, em geral para mostrar aos ateus o quanto ele é mais rigorosamente lógico e mais inteligente do que eles. Tende a considerar «deus» como inexistente ou indiferente e só diverge do ateísmo devido à questão da negação do não provado (falácia da afirmação negativa). Mesmo assim ele faz questão de marcar a divisão entre agnosticismo e ateísmo como se houvesse uma muralha ali.
Agnóstico-teísta
Tem uma idéia formada de «deus» como algo curiosamente semelhante ao que a religião cristã prega e tem amplo conhecimento de terminologia específica de alguma denominação religiosa em particular. Mesmo assim em termos de atitude não se diferencia dos outros porque não enxerga nesse «deus»um caráter «salvífico». De certa forma, é o legítimo agnóstico «em cima do muro»: rejeita o teísmo puro porque não é burro o bastante para fechar os olhos para a lógica do que estudou, mas não parte para o ateísmo descarado porque ainda existe, no fundo de sua alma, um «medinho» de que o Velho Barbudo do Céu possa existir.
Agnóstico-crente
Além de considerar «deus» como algo idêntico ao que as religiões pregam, este tipo de agnóstico ainda se comporta com «respeito» em relação a esta crença, apenas reservando-se a não examiná-la com a lógica ou a ciência, por considerá-la «além das possibilidades» da razão. Quando confrontado em um debate, invariavelmente recairá do lado dos teístas. Qualquer religioso não fundamentalista e razoavelmente esclarecido se enquadra nesta categoria quando não está pregando.
Agnóstico orkutiano
Só é agnóstico depois de logar no Orkut, só conhece do agnosticismo uma pseudo-terminologia rasa. Mas usa o termo «agnóstico» como se fosse uma medalha que o torna melhor que os ateus. Sentir-se superior aos ateus é muito importante para o agnóstico orkutiano, também conhecido como troll das comunidades céticas.