quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Em Defesa de Mayara

Mayara vocês sabem quem é. Não preciso dizer e nem ousaria. Ocuparia muito espaço com um assunto que me enjoa e enoja.

Mas, tendo dito que o assunto me enjoa e enoja, creio que já posso ir além do que todos dizem e tentar dizer algo diferente. Esta história já passou do ponto e está mais do que na hora de deixar a garota em paz!

Claro que ela disse uma coisa terrível, claro que ela cometeu uma ofensa fenomenal e certamente as consequências lhe ensinaram uma preciosa lição: a necessidade de ser comedido no que diz, seja lá o que for que diga, mas especialmente se for para dizer uma besteira. Besteiras menores geram menores consequências. Se você vai falar merda, tente que seja pouca.

Acontece que o caso já repercutiu demais. A menina está se sentindo acuada em casa, a ponto de nem poder sair na rua. Isto por ter dito algo que é meramente um crime de opinião. Por favor, pessoas aí que me leiam. Ela não matou nem estuprou ninguém, apenas disse algo que não devia ter dito.

Que a processem, que a façam pagar multa, que a façam alcançar a compreensão de seu erro de alguma forma, mas vamos parar de linchamento moral.

O que está sendo feito com ela já passou a ser calhordice. Ninguém é tão bonzinho assim, ninguém é tão isento de preconceitos, ninguém é tão perfeito a ponto de poder se julgar tão melhor do que Mayara. O que está acontecendo com ela é uma catarse, só isso. Pessoas que também são preconceituosas mas não têm coragem de declarar-se escolheram essa menina para bode expiatório. Nesse imenso e preconceituoso país há muitos que acham mais fácil participar da malhação de um judas que personifica o próprio lado escuro do que remover de si a mancha do erro e do preconceito.

Mayara é uma boba, pode até ser uma criminosa, mas as consequências que está enfrentando já vão além da medida, já se tornaram injustas pelo excesso. O excesso em resposta a um erro não contribui para nada de positivo: Mayara não está aprendendo a reconhecer o seu erro, mas apenas que a opinião da maioria é capaz de oprimir e de fazer sofrer quando você diz algo que não agrada ao grande público. Esta é a lição errada: não é isso que devíamos ensinar.

Mayara precisa de aprender a ver o mundo com olhos menos agressivos e menos egoístas. Mas quando o mundo a olha de forma agressiva e calhorda, transferindo para ela a culpa coletiva de uma sociedade na qual tantas formas de preconceito ainda coexistem, o que estará aprendendo?

Eu não concordo com o que ela disse. Mas nesse momento eu já acho que devo me solidarizar com ela. Porque ela já se tornou a oprimida nesta história.