quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Retrato de uma Retratação

Este post pretende analisar os pontos significativos da retratação apresentada pelo Bule Voador em relação à publicação de uma notícia absurda e mentirosa, inventada por um mitômano notório. Sugiro a leitura desta postagem anterior para compreender melhor o que está sendo dito.

Não concordamos que nossa falta de cautela tenha sido absoluta, mas reconhecemos que ela existiu.

Como assim, caras pálidas? Não concordam que a sua falta de cautela tenha sido absoluta? Sequer visitaram o blog do sujeito para ver qual a dele? Sequer procuraram mais informações? Se a falta de cautela não foi absoluta, me expliquem onde foi que vocês mostraram alguma cautela nesse episódio. Não ficaria mais bonito dizer que erraram e pronto? Por que relativizar o erro?

Recebemos semanalmente relatos de ateus sendo demitidos ou insultados dentro ou fora de casa por se exporem como tais, e erramos em imaginar que este fosse um caso extremo deste fenômeno existente.

O que nos faz pensar quantos de tais relatos semanais não podem ser, também, inventados por pessoas interessadas em aparecer. Será que não caberia ao bule, se pretende publicar tais relatos, passar a agir de forma jornalística e investigá-los? Infelizmente a grande mídia está decadente e o que está ficando no lugar dela é esse jornalismo podre que republica relatos sem checar nada. Por que não usar de ceticismo quanto a isso, caros amigos?

O fato é que nós nos deixamos levar pelo calor das emoções e abandonamos por um instante nosso crivo cético,

Como assim, “por um instante”? Vocês publicaram a retratação SEIS DIAS após a história ter aparecido no Bule Voador, somente depois de começarem a virar chacota na blogosfera. Por que vocês preferiram exercitar o seu “crivo cético” em relação às pessoas que estavam fazendo críticas às suas práticas em vez de admitir a coisa toda?

até por solidariedade ideológica como ateus que somos,

Pára, Eli, pára que isso é papo de partidão. Por solidariedade ideológica Sartre apoiou a invasão da Hungria pela União Soviética e John Reed fechou os olhos para as primeiras deportações étnicas. Não devemos ser ideologicamente solidários com NADA, mesmo porque, uma ideololgia é uma crença, é um tipo de religião também. Vocês estão pisoteando no túmulo de Bertrand Russell ao admitirem “solidariedade ideológica”.

sequer nos demos conta do quão incoerente, enfeitada e exagerada ela era de fato.

Não se deram conta porque não REFLETIRAM a respeito dela por mais do que alguns segundos antes de apertarem o botão de publicação. A história era autocontraditória e bastaria duas pessoas razoavelmente céticas terem feito uma análise de dez minutos e teriam indícios seguros de que não era verdade. Eu postei uma dura e total retratação NO MESMO DIA em que a história foi publicada e o link para o meu post esteve por minutos entre os comentários. Se vocês não estivessem ocupados sendo ideololgicamente solidários com os outros poderiam ter visto que nada ali se sustentava. E vocês ainda acham que houve alguma cautela nos procedimentos (“não concordamos que nossa falta de cautela tenha sido absoluta”).

Depois de publicado e em função das necessárias críticas, paramos para refletir sobre o assunto,

Se não tivessem surgido as “necessárias críticas”, quanto tempo vocês teriam demorado para refletir sobre o assunto? Quantos relatos semelhantes não devem estar dormindo nos arquivos do Bule, apenas porque ninguém enfiou o dedo na ferida?

Entretanto, com tamanha visibilidade do blog, não poderíamos simplesmente apagar o post imediatamente, que, nos primeiros 30 minutos já tinha quase 700 visualizações, mesmo postado às 5h da manhã.

Então, já que não podiam apagar, a coisa certa a fazer era dizer que estavam fazendo um “experimento sociológico”? Vem cá, vocês já ouviram falar de “ad hoc”? Senta lá, Cláudia.

A demora para nos posicionarmos publicamente sobre o ocorrido foi em função de decisões em grupo do Conselho de Mídia,

Ou seja, os responsáveis pela publicação tentaram evitar a retratação ao máximo, mesmo depois de terem percebido a patranha.

mas o máximo que recebemos foram links próprios irrelevantes e muito ad hoc.

Então vocês já ouviram falar de “ad hoc”.

Lamentamos que existam ateus assim, que contam qualquer coisa para difamar religiosos, e declaramos a história contada pelo Guilherme Kempoviki uma farsa até evidência em contrário.

Como assim, “declaram”? Vocês têm o poder de decidir o que é verdade e o que é farsa? Ah, esqueci que sua falta de cautela não foi absoluta!

Eli Vieira, e outros. Lamento dizer, mas vocês se tornaram aquilo que tanto combateram: Daniel Sottomaior e sua ATEA. “Quando contemplas o abismo, o abismo também te contempla” (Nietzsche).