domingo, 29 de maio de 2011

Para que aliar-se ao PMDB?

Quem se alia ao PMDB é como quem se casa com mulher da zona, coloca a esperança acima da expectativa. A diferença é que as prostitutas costumam ser mais fieis aos seus compromissos do que os políticos do PMDB. Pergunto-me sempre: o que leva alguém a fazer uma aliança com esse bloco amorfo de fisiologismo?

Claro que o PMDB é um partido grande, mesmo tendo cessado, há décadas, de ser um grande partido. Claro que ele contém muitos votos, mas é uma bobagem pensar que ele “agrega” esses votos porque, quando a chapa esquenta, os deputados do PMDB se rebelam contra seus líderes (ou às vezes os próprios líderes se rebelam contra seus compromissos) e votam em função de seus interesses paroquiais.

Desta forma, uma aliança com o PMDB acaba sendo inútil porque não vai melhorar a situação do bloco situacionista. No recente episódio da aprovação, contra a vontade do governo, do medonho projeto de desmatamento da Amazônia (pois é nisso que consiste o abantesma que foi aprovado pela Câmara) o PMDB (situacionista) foi mais oposição do que o PSDB (oposição aberta). Querem ver por que?

Dos 73 deputados do PMDB presentes à votação, 72 votaram “sim” à proposição, embora o líder do governo tenha recomendado o voto “não”. Isso dá 98% dos votos. O PSDB, que é oposição, teve 45 votos “sim” entre 49 deputados presentes. Isso dá 91%.

A matemática prova, portanto, que teria sido melhor a presidente Dilma ter feito uma aliança com o PSDB, inimigo declarado, do que com o PMDB, partido de traíras, que enfiam a faca pelas costas. Os votos do PSDB foram votos de oposição, os do PMDB foram votos de traição.

Continuo me perguntando: para que serve uma aliança com o PMDB se 98% de seus deputados votarão contra a recomendação do líder do governo? Teria sido melhor governar com minoria (e destinar os ministérios do PMDB a nomes técnicos) do que lotear o primeiro escalão e levar esta facada pelas costas.
Presidente Dilma: livre-se desse encosto. Melhor negociar com o Aécio do que com o PMDB.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Relativismo no … dos outros é refresco

Comentário a postagem do blog do Paulo Roberto Lopes.


A questão dos costumes tribais dos povos ditos “primitivos” é um dos temas mais espinhosos com que nos deparamos. Os espinhos a que me refiro estão ligados às contradições de nossa cultura dita “civilizada” e à maneira como ela encara as demais culturas do mundo.

Durante muito tempo os “africanos”, os “muçulmanos”, os “orientais” e os “aborígines” foram vistos como seres de segunda ou de terceira classe na humanidade, pessoas às quais não se aplicavam, pelo menos não integralmente, os valores do ocidente. A raiz do relativismo cultural se nutre, e muito, da continuidade de tal preconceito. Até há poucos anos, por exemplo, a voz corrente da “intelligentsia” internacional era de que os “povos muçulmanos” não teriam qualquer apreço pela democracia, com a qual o Islã seria incompatível. Os recentes movimentos nos países do Norte da África e do Oriente Médio deveriam ter envergonhado essa gente distinta que acha que tem a régua para medir a cultura alheia. Mas eles são ensebados e espertos e encontrarão uma maneira de continuar com credibilidade. Basta sacrificar os nomes proeminentes, como fizeram com Francis Fukuyama, o profeta do “fim da História” e arauto do consenso de Washington.