quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Não Adianta Fundar uma Religião

Comentário postado em Paulopes.com.br. Leia a notícia original para entender o comentário abaixo.

Acredito que esta notícia nos deve trazer três reflexões importantíssimas, mas frequentemente deixadas de lado no debate entre ateus e crentes, que se desenrola aos berros e cotoveladas pela internet.

  1. A absoluta irrelevância da mensagem original de qualquer religião para aqueles que a seguem.
  2. A ineficácia da ciência como cura para os “defeitos” da cultura.
  3. A resistência da cultura diante do assalto da mudança.

Deixa eu tentar me explicar. Antes aviso a quem não gosta de ler (ou de pensar) que pule essas postagens, porque vai doer.

Não se trata de um “pecado” do Cristianismo desenvolver tantas seitas contraditórias a partir de um cerne razoavelmente limitado e coerente formado pelos três evangelhos sinóticos e as cartas pastorais de Paulo. Também isso ocorreu no Budismo e no Islamismo, e vai ocorrer com toda religião que se expandir geograficamente. O ser humano é incapaz de seguir uma ideia alheia sem acrescentar-lhe algo seu — e eu não sei se isso é ruim. A mesma mensagem que incluía conceitos como “olhai os lírios do campo”, “meu reino não é deste mundo” e “quando orardes, não façais como os hipócritas que oram nas praças e esquinas” justifica catedrais gigantescas, impérios empresariais, dízimos milionários e orações coletivas vitaminadas por equipagens de som equivalentes a de megaconcertos de música pop. Afinal, era exatamente nisso que Jesus estava pensando quando supostamente veio nesse mundo pregar, não foi?

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Sobre Carvões, Diamantes e o Futuro - Parte 1

Marx escreveu uma obra intitulada “Miséria da Filosofia”, em resposta a uma outra obra, de Proudhon, chamada de “Filosofia da Miséria”. O trocadilho ácido resultou no rompimento definitivo dos dois autores, mas rendeu uma longa tradição de livros, artigos e teses sobre a miséria das coisas, das pessoas e dos conhecimentos. Sem pretender calçar as botas de Marx, de Proudhon, ou mesmo do caro leitor, arremeto-me à tarefa de filosofar sobre a miséria de um outro campo de conhecimento, a História.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Os Professores Não Devem Ser “Anastasiados”

« Primeiro eles o ignoram, depois o ridicularizam, depois reagem violentamente, e então você vence. » (Gandhi)

O que governo de Minas Gerais está fazendo com os professores da rede estadual de ensino é uma queda de braço tal como a de Margareth Thatcher com os mineiros de carvão no início dos anos 80. Ele está disposto a deixar tudo quebrar e depois por a culpa nos grevistas. Thatcher não hesitou em desmantelar toda a indústria de mineração britânica a fim de esmagar o sindicalismo. Talvez o governador pense em desmantelar definitivamente toda a educação no estado a fim de definitivamente subjugar os professores.

Ele não vai ceder porque sabe que, se ceder, terá aberto um precedente e outros que ganham salários inconstitucionais em outros lugares do Brasil também se revoltarão. Por isso, por debaixo dos panos, ele deve receber os mais diversos apoios. Os meios de comunicação, por exemplo, estão com ele.