segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Porque Não Postarei Mais no Paulopes.com

Há alguns anos acompanho o blogue do Paulo Roberto Lopes, desde os tempos em que ele ainda o hospedava no blogspot.com e tinha um foco principal em comportamento. Fui apresentado a ele, inclusive, por pessoas que hoje, dificilmente, ainda o estarão visitando. Nos últimos dezoito ou vinte meses fui presença constante, figurinha carimbada lá, a ponto de o responsável pelo blogue ter passado a republicar algumas de minhas postagens, chegando a criar um tópico fixo com índice de meus textos.

No princípio esse fato me surpreendeu. Não são muitos os blogueiros que tratam desta forma os comentários feitos pelos leitores. Surpreendeu-me também o impacto que esta relação teve nas visitas de meus dois blogues pessoais, este e o Letras Elétricas, de tema exclusivamente literário/artístico, ainda que a repercussão tenha sido menor do que o tráfego trazido antigamente por minha participação no Orkut.

Muitas postagens aqui deste blog se originaram em comentários originalmente feitos lá, devidamente revisados e expandidos. Por isso não posso deixar de reconhecer que o Paulopes.com foi uma fonte de inspiração para boa parte do que escrevi nestes quase dois anos. Sou grato a ele por isso, e em momento algum este será o ponto que estará sob cogitação.

Ocorre que comentar lá começou a se tornar um problema, pelo menos para mim que tenho o péssimo hábito de pensar lentamente e desejar sempre revisar e melhorar o que escrevo. O primeiro sintoma de que havia algo errado foi na polêmica entre mim e o Eli Vieira por causa do maldito texto do Guilherme Kempoviki sobre a enfermeira crente fanática. Em certo momento, Eli argumentou — e hoje eu reconheço que ele tinha razão — que as suas intervenções em defesa dos editores do Bule Voador haviam sido amplificadas, adquirindo uma dimensão para a qual não haviam sido originalmente concebidas, quando Paulo Roberto Lopes as promoveu de resposta contextualizada a um comentário a postagem independente. Na época eu não entendi todas as implicações do que Eli quis dizer, hoje entendo.

Entendo porque precisou acontecer algo semelhante comigo. Não tão grave, mas a semelhança não precisa de gravidade, somente de analogia. Uma postagem minha, curta e relativamente tosca, foi elevada à categoria de artigo no Paulopes.com, gerando mais de cem comentários até agora e até mesmo uma resposta por Luciano Ayan, que me acusou de ter cometido uma série de «falácias infantis». De certa forma, Luciano tem razão. Embora meu pensamento original não fosse falacioso, a maneira como o exprimi foi tão primária e abreviada que fica até difícil defender que não há falácias infantis ali. Dou a mão à palmatória neste caso, pois, como sabiamente disse um filósofo, «o importante não é o que você pensa, mas o que exprime». Exprimi-me mal, mea culpa, mea grandissima culpa. Podem aproveitar e atirar as pedras. Errei, assumo.

Já deixei uma explicação, que é em parte retratação e em parte esclarecimento, tanto no Paulopes.com quanto no blog do Luciano Ayan. Acredito que ele, por ter tido o mérito de responder com eficácia, merece esta consideração de minha parte. O fato de termos posições discordantes não me leva a desrespeitá-lo, ainda que ele tenha usado de linguagem desrespeitosa em relação a mim. Não sou dos que se ofendem com palavrinhas na internet, quem propõe leis contra tal «difamação» não está me representando. Qual é, então, o problema? O problema reside em três pontos:

  1. A falta de um critério claro para promoção de comentários a postagens.
  2. A falta de um contato prévio para autorização.
  3. A reivindicação de direito autoral que Paulo faz em relação aos comentários.

Claro que o dono do blogue tem o direito de usar o critério que quiser, mas se o critério não é claro, isto traz desconforto a quem comenta. Eu gostaria de saber, por exemplo, que respostas curtas e toscas não seriam consideradas para promoção. Atualmente o Paulo inclui na caixa de comentários uma notícia de que o comentário pode ser inadvertidamente promovido a postagem, e nisso fica implícito que o comentador autoriza tal uso de seu texto. Não concordo com essa postura. Poderia concordar se, pelo menos, o critério de promoção de comentário a postagem fosse claro e se houvesse alguma revisão prévia do texto escolhido. Da forma como é feito, um comentário impensado, como o meu, ou estritamente contextualizado, como o do Eli, pode ser amplificado e ganhar uma atenção que não deveria ter, com danos à imagem do comentador.

A reivindicação de direito autoral é o mais complicado, porém. À falta de outros motivos, este seria suficiente. Já faz algum tempo que reparei nesta notícia que aparece quando eu copio algum comentário para postar aqui no Arapucas, ou quando copio e colo um comentário alheio para responder com citação. Demorou algum tempo para eu entender o que estava acontecendo, e não gostei.

Paulopes só permite a cópia deste texto para uso não comercial e com a atribuição do crédito e link.

Evidentemente o proprietário dos comentários que eu faço sou eu, não o Paulo. Se eu os faço em um blogue alheio, isso não muda o fato de que sou o autor, e que a permissão deveria, em qualquer caso, ser dada por mim, não por ele. Sequer existe na caixa de comentários uma notícia esclarecendo que, ao comentar no Paulopes, eu estou abrindo mão de meu direito autoral sobre o que escrevo lá.

Ainda que judicialmente questionável esta reivindicação, eu prefiro não ter que questioná-la em nível algum. Não sou do tipo que se diverte com querelas. Prefiro parar de publicar no Paulopes, mesmo ao preço de perder uma parte do tráfego de meus blogues, para evitar que algum dia me processem por violação de direito autoral por eu estar reproduzindo em meu próprio site uma coisa que escrevi em outro lugar. Não quero acabar como o John Fogerty, que foi acusado de «plágio» e processado pela sua gravador, acabando por ser condenado a uma gorda indenização apenas porque compôs e gravou em sua carreira solo, por outra gravadora, uma canção que tinha semelhanças com uma outra, gravada por ele enquanto membro do Creedence Clearwater Revival.