domingo, 18 de novembro de 2012

Em Defesa do Indefensável, Novamente.

O site www.ceticismo.net (que usurpa o nome para difundir ignorância, preconceitos e desinformação) novamente passou dos limites do tolerável (se é que se pode tolerar estes elementos diuturnamente). A primeira vez tinha sido quando, sob o pretexto de atacar uma decisão equivocada da justiça, André cometeu injúria racial contra o povo cigano, episódio documentado aqui no Arapucas.


Desta vez o «André» partiu em defesa do colunista Walter Navarro, demitido do jornal mineiro O Tempo por ter escrito um verdadeiro libelo contra os índios guarani-kaiowá (e contra os indígenas em geral) e ter, de forma muito previsível, ofendido a sensibilidade dos leitores do jornal (pois, aparentemente, entre os mineiros ainda não se encontra nem tão difundido e nem tão arraigado o tipo de racismo hidrofóbico praticado por certos colunistas de outros estados da federação). Defender alguém pelo que escreve implica em defender também o que foi escrito, a menos que nos dediquemos a deixar bem claro a separação entre a defesa do homem e a defesa da obra, coisa que André não fez.

Quando digo que o André é um idiota eu me refiro ao sentido grego do termo: ele está focado exclusivamente em si, sentado no próprio rabo, e não tem uma compreensão do outro (ou da «alteridade», como diria um filósofo). Esta idiotia o leva à falta de empatia, que o impede de compreender as motivações de pessoas que estejam fora de seu contexto cultural imediato. Em suma, André é um provinciano (mesmo que seja urbano): ele mede o tamanho do mundo com a régua de sua ignorância.

Ignorância, aliás, que ele exibe, sem nenhuma vergonha, em mais de um parágrafo do texto. Aliás, parece que André a considera uma virtude, um tipo de «poder mental» que o capacita a desqualificar o que não entende. Quer um exemplo?
Bem, você nunca ouviu falar nessa tribo antes das notícias (inclusive esta aqui) e é bem provável que até depois do feriado já tenha esquecido.

Se André e seus leitores nunca ouviram falar dos guarani-kaiowá (em minúsculas, pois em português os nomes de etnias e povos são escritos assim), isto deveria lhes sugerir a necessidade de buscar esta informação antes de emitir opinião. Infelizmente não é assim que funciona o Ceticismo.net. Essa coisa de buscar informações antes de emitir opiniões é coisa de «esquerdista» e de «intelectualóide». Se eu  não conheço é porque é irrelevante, porque não presta.

O pior de tudo é que há muitas pessoas que repercutem esse discurso raso pela internet, não apenas concordando com ele, mas dizendo-se «cem por cento de acordo» (estar «cem por cento de acordo» com um texto é uma prova de falta de autonomia intelectual, porque dificilmente um texto coincide «cem por cento» com nossas opiniões, ideias e conhecimentos). Se você que me lê também achou que o André «mandou bem», isto é um sinal de que você também é ignorante, pois não conseguiu, com as informações que tinha, perceber as falácias e as bobagens outras ditas pelo André.

Digo «pior de tudo» porque já cheguei à conclusão de que o André está adotando a «postura da vaca» em relação a tudo isso (cagando e andando) porque tudo que quer é criar polêmica com base nas notícias mais comentadas do momento, a fim de atrair tráfego para ganhar dinheiro com os cliques em anúncios (algo não muito diferente do que eu faço aqui, só que eu procuro ser mais responsável e não espalhar nem preconceito, nem desinformação e nem coisas que eu reconheça como falsas). Ou seja: o André está oferecendo capim para quem gosta de capim, e está ganhando AdSense com isso. É imoral? Pode até ser, mas o pior não é que ele escreva, é que haja tanta gente receptiva isso, a ponto de ele ganhar dinheiro oferecendo esse feno.

Passemos agora a analisar o conteúdo propriamente dito do artigo do Ceticismo.net (aliás este termo vai para o glossário).
Bem, você nunca ouviu falar nessa tribo antes das notícias (inclusive esta aqui) e é bem provável que até depois do feriado já tenha esquecido.
O caso dos guaranis-kaiowá é conhecido pelo menos desde 1989 (quando a Rede Manchete fez um «Documento Especial: Televisão Verdade» sobre eles, aproveitando a onda da novela Pantanal. O caso atual não começou ontem, mas é o clímax de uma situação que começou há pelo menos um ano.

Mesmo que ninguém nunca tivesse ouvido falar do caso, porém, isto é irrelevante. Um povo não precisa estar na mídia para ter direitos. O direito não é afetado (ou não deveria ser, em um mundo ideal) nem pela popularidade e nem pelo poder de influência econômica das partes. Os guaranis estão reivindicando algo cuja justiça deve ser apreciada pela justiça, com base em informações e documentos, e não julgado por colunistas ignorantes do assunto. A lógica do André, porém, nos diz que se você não é famoso, então foda-se.
Gente se matando por causa da perda de terras é algo que eu acho estúpido.
Se eu quisesse ser realmente deselegante eu diria que o que «acham» de um tema as pessoas que se mostram ignorantes dele não merece nenhuma consideração. Aliás, pensando bem, eu quero ser deselegante sim, porque o Ceticismo.net merece: se você desconhece um assunto, o que você diz sobre ele não tem valor algum.

Digo mais: se você não conhece um tema, tudo que você «acha» sobre ele está errado, e todos que concordam com você são, no mínimo, tão ignorantes quanto você. Como pode alguém que usa o nome de Ceticismo.net não compreender que opiniões e conclusões precisam de embasamento em informações? É por isso que eu comecei esse artigo dizendo que o Ceticismo.net usurpa o nome.

Estúpido é julgar os atos de membros de uma cultura diferente da sua, sem sequer conhecer o que está acontecendo (visto que ele próprio admite nunca ter ovuido falar do caso). Estúpido é largar uma achologia desinformada. A lógica? Eu nunca ouvi falar disso, mas acho estúpido.
Entrou em cena um monte de gente sem muito o que fazer e resolveram protestar a favor de um bando de índios, cuja tribo não é muito diferente da tribo do Raoni ou mesmo do Touro Sentado.
Uma das primeiras arjumentações desqualificativas empregadas pelo André contra as pessoas de quem discorda é dizer que são pessoas «sem o que fazer». Pessoas sem o que fazer protestam em favor de índios. Pessoas sem o que fazer fazem greves. Pessoas sem o que fazer protestam contra guerras. Pessoas sem o que fazer exigem respeito aos seus direitos. Pessoas sem o que fazer, em suma, tentam mudar o mundo. Viva as pessoas que não têm o que fazer! Que menos gente no mundo esteja ocupada demais consigo que não tenha tempo de ocupar-se do outro!  Que bom que sobra a muita gente tempo suficiente para erguerem a cabeça das cangas e cochos que a vida lhes impõe, para olhar longe, pensar com mais discernimento e procurar melhorar o mundo.

De tudo, porém, o que menos entendo é de que forma a comparação do «bando de índios» com a tribo do Raoni ou a do Touro Sentado seria uma desqualificação. Raoni é um líder indígena respeitado até internacionalmente, mas talvez o André se incomode com o seu botoque (bem, eu jamais me poria um, mas a boca é do índio, e ele que faça dela o que quiser). Touro Sentado é um personagem histórico fascinante, heróico até. Só parece vilão sob a ótica do faroeste, que, aliás, também achava que índio bom era índio morto. Touro Sentado merece respeito, muito respeito. Aliás, vou acrescentar uma foto dele na barra lateral deste blogue.
Walter Navarro trabalhava no jornal «O Tempo», um jornal tão importante quanto… sei lá, nunca ouvi falar dele antes.
Novamente André medindo o mundo com a régua de sua ignorância. Se ele não conhece, então não é importante. O mundo gira em torno de seu umbigo. Muito prazer, senhor ignorante. «O Tempo» é o segundo maior jornal de Minas Gerais, depois do Estado de Minas e um poucochinho à frente do Hoje em Dia.

Em seguida André transcreve na íntegra o libelo de Walter Navarro contra os indígenas em geral, e contra os guarani-kaiowá em especial. Isto é bom, pois significa que o Ceticismo.net não pode alegar que defendeu a liberdade de expressão do autor, sem se ater ao conteúdo em si do que ele escreveu. Ao defender enfaticamente a liberdade de expressão do autor, sem dedicar uma linha de crítica sequer ao texto dele, o André está obviamente endossando, ou, no mínimo, não vendo motivo para crítica, naquilo que foi escrito. E me surpreenderia muito se o André tivesse alguma discordância, haja vista o que ele já escreveu, em outra oportunidade, contra os ciganos.

André novamente comete o mesmo erro do artigo contra os ciganos, ao julgar a dignidade (ou o direito à dignidade) de um povo com base em seu desenvolvimento tecnológico e/ou suas realizações culturais na História. A lógica disso é que se determinado povo não tem realizações significativas, então ele pode ser exterminado porque defendê-los é ser social-intelectualóide.

A defesa do artigo de Walter Navarro confunde liberdade de expressão (o direito de manifestar livremente opiniões, ideias e pensamentos) com liberdade de imprensa (capacidade de um indivíduo de publicar e acessar informação através de meios de comunicação em massa, sem interferência do estado). Todos sabemos que o primeiro deve ser ilimitado porque isto é um princípio basilar da democracia. Mas o segundo, não necessariamente.

A liberdade de expressão é um direito individual, que envolve um ato privado (ou de alcance limitado e controlável): você diz o que quer, para quem quer, onde quer. A liberdade de imprensa é um direito coletivo, que envolve um ato público. Direito coletivo porque quem tem o direito à liberdade de imprensa não é só o jornalista que escreve, mas o público que o lê. A publicação é um ato público (dããã) e de alcance ilimitado (no espaço e no tempo) e incontrolável (todos leem em todos os lugares, e tudo tem o potencial de ficar para a posteridade). Isso quer dizer que a palavra publicada, devido ao impacto que tem sobre outras pessoas e sua capacidade de influenciar a opinião pública, deve ser usada com responsabilidade.

Responsabilidade quer dizer que um meio de comunicação de massas não pode ser usado para difundir o ódio, ou corre-se o risco de produzir algo como o genocídio ruandês. Eu sei que o André ignora isso, aliás, eu não posso partir do pressuposto de que ele conheça qualquer coisa que esteja fora de seu pequeno mundinho, mas é fácil encontrar na internet informações sobre como o discurso do ódio contra os tutsi, iniciado por políticos demagogos, saiu do controle, contaminou a cultura popular, dominou os meios de comunicação de massa e gerou um clima irrestrito de ódio contra a minoria, a ponto de as estações de rádio e TV, no auge do evento, terem utilizado seu jornalismo para orientar o genocídio, informando sobre locais onde os refugiados se escondiam, caminhos que usavam para fugir etc., e ensinar técnicas para praticá-lo. Não sei se vocês notaram, mas eu nem precisei falar do III Reich para exemplificar como a liberdade de imprensa precisa ser exercida com responsabilidade! Godwin, Godloses!

De que forma podemos compactuar com um colunista que escreve que «índio bom é índio morto». Como defender alguém que diz isso? Se a liberdade de imprensa permite que isto seja dito, então melhor limitar a liberdade de imprensa, pois um direito (à liberdade de imprensa) não pode ser exercido à custa de todos os outros direitos (entre os quais o direito dos indígenas à vida, à liberdade e à dignidade enquanto seres humanos — direitos esses que precedem a liberdade de imprensa em importância). Absolutizar a liberdade de imprensa desta forma é uma coisa inexplicável, a não ser que você compactue com o que está sendo expresso e esteja protestando não contra a restrição em si, mas contra a repressão das ideias expressas.

Além disso, os jornais já praticam uma forma de censura, que é a de limitar seus textos aos que se alinham com o pensamento («linha editorial») dos donos. A linha editorial, obviamente, procura analisar o comportamento dos leitores, pois o jornal vende mais quando os agrada. Isso quer dizer que a suposta liberdade de imprensa (do jornalista) já se encontra restrita pelas determinações do patrão. Contra isso o Adnré não comenta nada. O Walter foi demitido pelos donos do jornal porque estes perceberam que o seu discurso reacionário e racista seria rejeitado pelo público leitor mineiro. Isso equivale a uma gravadora demitir um artista que não vende. Se o André achou a demissão um absurdo, que proteste com os donos do jornal «irrelevante». Só faltou culpar o «governo do PT» pela demissão.

Basicamente André ficou revoltado porque um colunista que escreveu um texto que ofendeu a muita gente foi demitido de seu jornal. O errado em sua defesa do Walter Navarro é ele justamente não compreender porque as pessoas se ofendem. A tal falta de empatia, gerada pela falta de noção de alteridade que mencionei lá no começo. Ele não compreende porque não se solidariza com a causa indígena. Ele não se solidariza porque não compreende como seres humanos aqueles que são diferentes de si, quer na aparência física quer na cultura. Ele não compreende porque é ignorante, fechado em seu mundinho urbanoide de kitchenettes, elevadores e automóveis. Ele é ignorante porque não busca conhecer culturas diferentes da sua.

No fundo o que ecoa de seu texto é um ódio às minorias que não tem jornal para se defenderem. Ele não compreende as razões da revolta dos mineiros contra o artigo de Walter Navarro porque não enxerga os indígenas como seres humanos, ao menos não como humanos semelhantes seus. Por isso ele não vê problemas em uma declaração como essa:
Como diriam o Marechal Rondon e os irmãos Villas Boas, “Índio bom é índio morto”! “Matar, se preciso for, morrer, nunca!”.
Obviamente Walter Navarro sabe quem disse a frase «índio bom é índio morto». Então quando ele a atribui ao Marechal Rondon ele está espalhando desinformação. E, obviamente, os comedores de capim em breve estarão difundindo no Facebook a frase com esta autoria alterada. Para você que não sabe, e não quer ser confundido com um herbívoro ungulado, o autor foi o general Phillip Sheridan, um dos maiores genocidas das guerras indígenas dos Estados Unidos. Responsável por vingar a morte de outro genocida, George Armstrong Custer. A atribuição equivocada da frase também aos irmãos Villas-Boas, que ainda estão vivos, pode ser objeto, inclusive, de ação penal por difamação. Mas Navarro conta com a imunidade da imprensa, que, no Brasil, tem a liberdade de demolir reputações impunemente.

O artigo original também é desinformado a respeito das origens dos topônimos tupis pelo Brasil afora:
Tudo em São Paulo tem nome de índio. Consciência pesada dos bandeirantes: Anhanguera, Ibirapuera, Canindé, Aricanduva, Morumbi, Jabaquara, Tucuruvi, Tatuapé e agora Haddad, da tribo dos Ali Babás… Ô raça!

Aparentemente nem Walter Navarro e nem o Ceticismo.net sabem (aliás, o tamanho do que o André não sabe é praticamente cósmico) que esses nomes não se devem à «consciência pesada» dos bandeirantes (que, diga-se de passagem, tinham menos remorsos de matar índios e escravizar do que o general Sheridan), mas ao fato (conhecido até de quem só lê os livros didáticos de história do Brasil) de que os habitantes de São Paulo, até pelo menos o terceiro quarto do século XVIII, falavam nheengatu (um dialeto tupi) em vez de português. Inclusive os bandeirantes. Isso explica a existência (ou até prevalência) de topônimos tupis pelo país afora, inclusive em regiões que não eram originalmente habitadas por tribos tupis, como Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Tocantins e o interior do Nordeste.

Walter Navarro ainda aproveita o artigo para dar uma passadinha em São Paulo e escrever isso para falar mal do PT:
É assim: Lula liga pro Zé Dirceu, que liga pro Gilberto Carvalho; daí pro Genoíno, que liga pro Marcos Valério, que liga pros presídios e manda matar o Celso Daniel; quer dizer, matar policiais e concorrentes, em troca de banho de sol, visita íntima e regalias mensais.
Isto é algo muito grave, porque é uma acusação séria e irresponsável. O Walter Navarro está acusando pessoas públicas, inclusive um ex presidente da república, de conspirarem com o crime organizado para matarem pessoas (200 só nestes últimos trinta dias na capital paulista) por razões políticas (obviamente). Não é o tipo de coisa que um jornalista, em um jornal sério, em um país sério, escreveria sem ter em mãos provas contundentes. Um jornalista americano que escrevesse isso sem ter provas seria não somente demitido como, provavelmente, terminaria atrás das grades ele mesmo. No entanto, a flacidez de nossas leis permitem que um colunista levianamente avente essa hipótese e saia impune (pelo menos o jornal o demitiu). Infelizmente parece que há entre nós uma tolerância com a mentira, a leviandade e as acusações infundadas, desde que em nome de uma boa causa. Isso transforma os debates de nossa imprensa em um duelo de ficções ideologicamente opostas, com predominância da ideologia direitista dos grandes empresários do setor. Como diria Raul Seixas (esta citação não é apócrifa): «Eu não preciso ler jornais / mentir sozinho eu sou capaz».

Ao acusar pessoas públicas de conspirarem para cometer crimes, Walter cometeu crime. É bom Walter ter provas de que é Lula que está mandando o PCC matar em são Paulo, porque se não pode ser processado por calúnia (ou algo assim, não sou advogado).

Outro parágrafo lindo do texto do Walter, que o André defende porque ecoa o mesmo tipo de racio símio empregado pelo Ceticismo.net no célebre artigo dos ciganos, é esse aqui:
Os guaranis kaiowá não passam de recolhedores de mel no meio do mato. É o povo mais primitivo do mundo, nem chegou à Idade da Pedra. Petistas “avant la lettre”! Comem cupim. Intimidam até malária! Pigmeus, parecem formigas gigantes e caracterizam-se pela insuportável pneumatose intestinal, o que faz deles companhia deveras desagradável.

Já que os guaranis são poucos e pobres, então podemos falar mal deles. Podemos dizer até que «parecem formigas» (desumanização) e que todos peidam fedendo (imagino que os peidos do Walter têm cheiro de Chanel nº 5). Se, como disse o Nihil Lemos, não existe racismo nenhum aí, então não existia racismo nenhum no Mein Kampf. Bem, tive de recorrer ao III Reich. Godwon!

As ideias de André e seu Ceticismo.net são muito mais reacionárias e chauvinistas do que parecem. De fato, se você olhar bem, notará que ele possui uma certa aversão ao direito e uma idolatria pela força bruta. Isso deve, aliás, ter um sentido mais profundo — que não vou explorar porque detesto o tal Godwin. Por enquanto apenas olhe a figura à esquerda e pense.

Mas a ideia da força bruta como legitimação de um argumento, ou como medida de valor, parece estar se popularizando na internet recentemente. O que não deixa de ser esperado, visto que might is right é uma ideologia fascista típica, e o fascismo anda em alta no mundo virtual recentemente.

Para André e seu Ceticismo.net, a força/poder empresta legitimidade e valor ao seu possuidor. Isso, claro, é um argumento irracional tão escroto que a usurpação do termo «ceticismo» pelo André se torna ainda mais evidente. Vejam só esta pérola:
Da mesma maneira, se eu disser que hebreus nunca foram expressivos em termos de civilização, a ponto de terem sido chutados para tudo que é canto na Palestina o século 6 A.E.C, não é racismo. Eles até desenvolveram boas tecnologias, mas não eram páreo para o Egito, Assíria e Babilônia.
Observe que o André está julgando as civilizações do Antigo Oriente Próximo com base em seu poderio militar e nas tecnologias que desenvolveram. O fato de os povos da Palestina terem inventado o alfabeto, graças ao qual esta anta está agora difundido merda pela internet, é irrelevante. Bom mesmo é pegar no tacape e amassar a moleira do inimigo. É como se o André, a exemplo dos marombeiros autores desta imagem, estivessem dividindo os povos entre «povos nerds» (que [só] inventam coisas intelectuais, como alfabetos, religiões, filosofia, sistemas éticos, ciências) e «povos sarados» (que [também] inventam coisas como armas, exércitos, guerras e afins). Como disse um marombeiro no Facebook, em reação a críticas feitas à imagem inclusa (correção gramatical e ortográfica aplicada):
Lógico que as pessoas que treinam possuem infinita vantagem sobre um nerd cabaço, e exatamente por isso cidadãos desse naipe deveriam respeitar quem treina, para preservar sua integridade física e moral. Ou então quem treina tem que se submeter à idiotas como esses? Não, pelo simples fato de poder mandá-los para a UTI.

Logicamente os hebreus (que, diga-se de passagem nunca foram tão numerosos) jamais seriam páreo para os egípcios ou os mesopotâmicos. A simples disponibilidade de água em abundância permitia que tais povos fossem mais populosos — e isso indicava uma prevalência militar na antiguidade, tanto quanto possuir mais músculos indica uma prevalência física no mundo de hoje, se você tirar armas de fogo da jogada. Mas o André julga os hebreus «menos expressivos em termos de civilização» do que os assírios, por exemplo, com base exclusivamente no fato de que os assírios exterminaram mais da metade dos poucos hebreus que havia em 722 a.C.

Essa idolatria fascista da força é o que justifica desumanizar e desqualificar os indígenas, que são poucos, não tem jornais e não tem armas de destruição em massa. É o que justifica propor seu extermínio, devido à sua irrelevância. Essa é a lógica egoísta e fascista que está se popularizando na internet, e que este blogue, humildemente, se propõe a combater.