quinta-feira, 21 de junho de 2012

O Desgosto que Lula me Deu

Este artigo ficou voejando pela minha cabeça nos últimos dias sem que eu tivesse realmente a coragem de escrevê-lo. Tenho tido uma profunda preguiça mental para escrever, tanto textos literários quanto polêmicos, pois o meu corpo e a minha alma têm sido absorvidos no aprendizado de uma nova função em meu emprego. Mas há casos nos quais o casulo da inércia não consegue conter muito tempo uma ideia que pulsa até que finalmente purga, como um tumor.

sábado, 9 de junho de 2012

Porque o Ateísmo Continua Não Sendo uma Crença - Parte 1

Está por concluir-se por esses dias uma série de postagens feitas no Bule Voador com o título «Porque o Ateísmo É uma Crença», assinadas por Gregory Gaboardi, estudante de comunicação na UFRGS (até onde pude apurar pela internet, mas aguardo correção de quem possa perguntar-lhe diretamente suas credenciais). Considerando que finalmente o autor concluiu sua argumentação, inicio hoje aqui uma série de comentários a respeito de suas colocações.

Introdução

Gostaria de advertir os meus leitores que ainda não sabem (sempre se deve estar precavido contra distraídos ou recém-chegados) que eu sou um crítico do que chamo de «movimento ateu» brasileiro, mesmo sendo eu mesmo um ateu. Minhas críticas não se dirigem ao ateísmo em si, em nenhuma de suas correntes, mas à atuação de seus pretensos líderes, próceres e ídolos, e se limitam estritamente àqueles pontos nos quais posso discernir o que considero erros estratégicos. Em resumo: acredito que a maioria dos ateus brasileiros que têm visibilidade na blogosfera ou nas redes sociais são pessoas muito imaturas e despreparadas para uma argumentação racional, embora se considerem, devido ao ateísmo (o que é a maior tragédia), mais preparadas que qualquer reles papa hóstias. Acima de tudo, percebo nestas pessoas um alto grau de dependência em relação ao que se escreve, diz e pensa sobre ateísmo em inglês. A falta de originalidade faz com que reajam de forma às vezes desconexa ou até incompreensível diante de desafios específicos de nossa realidade.

Portanto, nesta postagem, como de vezes anteriores, procurarei desmascarar, na medida em que minha limitada formação acadêmica e cultura geral o permita, os equívocos cometidos por Gaboardi, um prócer do movimento cético. Não sei se o autor se auto intitula ateu ou outra coisa e o Bule Voador parece não tomar um lado nesta questão, preferindo alargar o muro para que o maior número possível de pessoas possa estar em cima.

Como não pretendo discutir o tema deixando meu leitor «no vácuo», a série de artigos escrita por Gaboardi pode ser encontrada integralmente nos links a seguir:
  1. Parte I
  2. Parte II
  3. Parte III
  4. Parte IV
  5. Parte V
  6. Parte VI
  7. Parte VII
  8. Parte VIII
  9. Parte IX — pendente
Ao contrário de Gaboardi, que dividiu sua argumentação em várias partes para evitar uma leitura muito longa e intimidante, eu dividirei a minha em partes para simplesmente separar diferentes linhas de raciocínio. Cada parte subsequente a esta pode repetir e repisar conceitos aqui já abordados, apenas sob outro ponto de vista. As diferentes partes de meu argumento são como diferentes ângulos, e não partes sequenciais de um todo.

domingo, 3 de junho de 2012

A Verdade, Apenas um Detalhe

Dizia o antigo adágio que «política, futebol e religião» não se discute. Obviamente esta restrição da dita «sabedoria» popular se refere ao caráter insolúvel das paixões envolvidas nos três temas: ninguém muda o time para o qual o amigo torce, nem a religião que segue, nem as suas convicções políticas. No fundo os três fatores estão muito mais ligados do que se pensa: os três são manifestações fortemente ideológicas.

Para provar isso basta uma rápida olhada nas rivalidades regionais de nosso futebol e detectar o dedo da política. Sem necessidade de descer a detalhes que podem ser obtidos numa rápida pesquisa na internet (sou do tempo em que ao escrever um artigo era quase sempre necessário citar as informações, porque dificilmente o leitor conseguiria localizar as informações suficientes para entender o raciocínio). Arrisco-me a dizer, porém, que o futebol é, dos três temas, o que melhor evoluiu. A não ser em países obviamente selvagens, ninguém mais mata ninguém por causa de futebol — e nem relações são postas a perder. Meus sogros, um botafoguense e uma flamenguista, estão aí para não deixar ninguém sem entender.