domingo, 19 de agosto de 2012

Se a Propaganda Substitui a Notícia

Tomei conhecimento através do Facebook de uma matéria publicada neste domingo na Folha de São Paulo que me deixou profundamente revoltado. Trata-se da história em quadrinhos sobre o mensalão. Antes que meus leitores reaças me acusem (se ainda estão lendo) de estar apenas reagindo ao ataque às minhas crenças, esclareço que a revolta não é causada pela tese apre­sentada no texto, pelas acusações a certos políticos ou mesmo pela ideologia subjacente à iniciativa. Posso perfeita­mente enten­der e aceitar que existam pessoas que pensam diferente de mim, posso aceitar (mas não entender) que exista quem espose uma ide­ologia reacionária de direita. E posso perfeitamente tolerar que uma coisa e outra sejam difundidas pela impresa. O motivo de minha profunda revolta é muito outro.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Um Asilo e uma Civilização em Crise

Finalmente, após semanas de adiamento, o Ministério dos Negócios Exteriores do Equador anunciou oficialmente que aquele país concedeu asilo político a Julian Assange, fundador e líder do polêmico sítio WikiLeaks. A concessão de tal asilo, e as repercussões imediatas e posteriores, revelam uma reviravolta ideológica impensável há poucas décadas, e são, em minha opinião, um dos primeiros sinais de que existem rachaduras na fachada do Grande Império Ocidental Moderno, cuja atual manifestação é encarnada pelos Estados Unidos da América.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Nome aos Bois



Tudo começou quando um desconhecido me chamou no bate papo do Facebook parabenizando-me pelos textos que publico neste blogue. Foram vários elogios, que me deixaram muito feliz, claro, mas não é deles que vou me gabar. Houve um certo momento durante a conversa virtual em que o meu fã distante fez-me uma pergunta que me chocou sobremaneira:

— Como é foda ser anarquista no mundo de hoje, não é mesmo?

Meu choque se explica: eu nunca me definiria como anarquista, nem que me pusessem uma faca no pescoço. Morreria negando. Aliás, já foram muitas as oportunidades em que me dissociei fortemente do anarquismo, a que já chamei de «pensamento porra louca», «sonho irrealizável», etc. Muitas as vezes em que sugeri que anarquistas deveriam mudar-se para a Somália (de fato e de direito o único lugar do mundo onde impera a anarquia).

Mas a verdade que eu tive que admitir é que eu mesmo sou um anarquista. Como assim?

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Quando uma Organização Ateísta se Aproxima de uma Religião

Está lá em qualquer manual introdutório de lógica básica de argumentação que os argumentos que não seguem regras racionais são inválidos. Mesmo assim, as chamadas «falácias» (minimizaremos o uso do termo daqui para a frente) seguem sendo mais populares do que o feijão, exceto que todo mundo sabe como se chama o feijão, mas ninguém quase identifica, por nome e sobrenome, os erros de argumentação que se pode cometer. Estes erros, porém, estão cuidadosamente catalogados, cada um em seu escaninho, e há alguns guias na internet que podem servir de base a quem queira conhecê-los.

Um dos usos mais comuns das tais falácias é na tentativa de desqualificar o ateísmo como sendo uma crença ou, de uma forma menos sofisticada, como uma religião. É preciso ter muito cuidado com esse tipo de argumentação porque se trata de uma «faca de dois gumes» e qualquer um deles parece igualmente válido. Mas na prática, nenhum é cem por cento garantido.

domingo, 5 de agosto de 2012

Coerência Humanista

No dia 27 de julho último um blogueiro reacionário chamado Nihil Lemos (ligeiramente à direita de Rush Limbaugh) publicou um texto chamado Funk: uma Poderosa Arma Idiotizadora, no qual tece suas críticas de praxe ao Estado. Na cabeça desse cidadão o funk carioca é uma espécie de arma musical desenvolvida pelo PT para alienar o povo e afastar os candidatos «mais preparados» dos postos que merecem por direito de nascimento, ou algo assim, eu não entendo direito o que esse cara tem em mente.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O Neonazismo e os Novos Movimentos Religiosos

Mircea Eliade (autor da História das Crenças e das Ideias Religiosas), no prefácio de seu Dicionário de Religiões, afirma que a definição de «religião» é algo tão complicado que ele prefere furtar-se à obrigação de fazê-lo, e sai pela tangente afirmando que «religião é aquilo que os religiosos chamam de religião». Se nem a maior autoridade no assunto ousou cravar uma definição rigorosa do termo, longe de mim fazê-lo, eu que nunca escrevi nada que se compare às suas obras. Deixo a tarefa, digna de Sísifo, aos meus leitores, caso eles ousem embrenhar-se neste debate esdrúxulo.

Ocorre que, mesmo sendo tão difícil precisar o que religião é, segue interessante comparar movimentos e instituições que reivindicam para si um caráter religioso com outros movimentos e instituições que não o fazem ou mesmo o negam peremptoriamente. Tais comparações fazem saltar à vista a imprecisão das fronteiras ente religião, mito, ideologia, conto de fadas ou mera crendice. O discernimento só é possível quando analisamos os exemplos extremos de cada categoria. Mas não é certo pensar que somente os exemplos extremos são verdadeiros.

Neste artigo pretendo fazer uma comparação entre o (Neo)nazismo e os Novos Movimentos Religiosos, para demonstrar como o modus operandi de uma ideologia decididamente secular pode ser semelhante, ou mesmo análogo, ao de uma religião. Mas para chegar a isto é necessário, primeiro, conceituar o que se deve entender por «Novo Movimento Religioso».

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Manifestações Inúteis de «Sofativismo» do «Movimento Ateu»

Rejeitar «Deus Seja Louvado» das Notas de Real

Todo ateu que se preze acredita piamente que vivemos sob um «estado laico» e que, por esta razão, qualquer manifestação da religiosidade hegemônica deve existir tão somente na esfera pessoal. Isso explica porque essa gente não tolera que nossas notas de real tenham a inscrição «Deus Seja Louvado», nelas instalada por um nosso ex presidente que não se notabilizou nunca por seu cristianismo. Como essa gente não tem latim (ou bufunfa) suficiente para impetrar um mandado de segurança contra o Banco Central e a Casa da Moeda, resolve cometer um ato pessoal de terrorismo para «mostrar o dedo» ao «sistema», na melhor tradição da rebeldia punk: suja, ineficaz, ininteligível, equivocada e contraproducente. Estou falando de hábito, muito festejado nas rodinhas ateístas nas redes sociais, de rabiscar nas notas a inscrição maldita.