sábado, 31 de agosto de 2013

O Arapucas mudou....

Já há algum tempo que eu pensava em abandonar o Blogger, devido principalmente ao fato de nunca ter gostado dos layouts padrão e do peso das páginas ao carregar. Aproveitei que comprei um domínio e instalei em um servidor contratado uma plataforma de CMS feita em PHP chamada Habari e ali agora estou blogando.

Se você conheceu este blogue e gostava do que eu escrevia aqui, considere visitando o novo endereço e adicionando-o aos seus favoritos: arapucas.letraseletricas.blog.br. E não tenha receio de apagar o link para cá, pois todo o conteúdo do velho arapucas de guerra foi devidamente migrado.

domingo, 16 de junho de 2013

Por uns vinte centavos

Às vezes é preciso acompanhar de perto para entender, mas há vezes em que estar de longe é melhor do que dentro das tripas do momento. Eu estou de longe, eu percebo tudo através da deturpação deliberada feita pela imprensa comprometida com o caos, por isso demoro a opinar. Não quero ser precipitado, mas tomo agora uma decisão sem volta: vou fechar este blogue.

É inegável que o uso político de ferramentas como o Blogger.com se tornou perigoso não só para as pessoas que as utilizam, mas também para as causas que defendem. Não podemos tentar exercer nossos direitos políticos usando produtos (sic) da indústria americana de serviços, especialmente agora que se descobriu que todos os grandes players deste mercado cooperam voluntariamente com a Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos para fornecer em tempo real informações sobre o conteúdo que controlam, sem sequer a necessidade de uma ordem judicial.

Sim, eu fui um dos tolos que levou a sério, em certa época, o slogan do Google: Don't Be Evil. Mas, desde que eles, sem alarde, deixaram de resistir às exigências chinesas de cooperação com a sua censura, eu percebi que havia algo errado. Até mesmo o slogan deixou de ser posto em evidência: como se alguém da companhia tentasse discretamente alertar o mundo que o Don't havia sido removido. Durante algum tempo acreditei que o Facebook era, este sim, vergonhosamente vendido e cooperador, enquanto o Google pelo menos tentava resistir. Agora todos sabemos que não há diferença entre as empresas, pois nem mesmo há necessidade de um agente chegar e pedir: os dados são encaminhados em tempo real para as instalações da NSA e ali podem ser acessados arbitrariamente por todos que tenham acesso ao computador.

Eu me pergunto, então: por que continuar produzindo conteúdo para alimentar esta indústria de espionagem que viola os direitos de todos os países do mundo e seus cidadãos? Enquanto não encontre um lugar e um meio para blogar de forma independente eu vou manter minha boca calada, pelo menos nesse blogue de assuntos mais sensíveis. Mas a médio prazo migrarei até mesmo o meu querido outro blogue para algum serviço, gratuito ou pago, que tenha como principal feature não ser hospedado nos Estados Unidos e nem ser baseado em software de código fechado.

Para o momento eu estou estudando alternativas. Consegui instalar em meu computador pessoal versões do Movable Type e do WordPress, com as quais brinquei durante toda a semana. Acabei decidindo que realmente o WordPress é insuperável, especialmente com a adição do CKEditor, do PrintFriendly e alguns outros plug-ins. Acredito que seria capaz de instalar uma cópia dele em um servidor remoto. Já estou procurando onde fazer isso. De momento, esta cópia local serviu, e muito bem, para fazer um backup total do meu blogue de literatura. E de agora para frente eu vou escrever nela e publicar depois de concluído o teste na instalação local.

Somente me preocupam duas coisas: o fato de que muitos serviços de hospedagem nacionais utilizam-se de servidores em território estrangeiro e a certeza de que o Google continuará alimentando a NSA com minhas informações através de sua ferramenta de busca. Mais do que nunca vale o conselho de que aquilo que realmente importa não deve ser posto na rede.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Acabou a Era das Revoluções

Feliz era o tempo em que se podia gritar que “o povo unido jamais será vencido”. Não só porque foram inventadas centenas de maneiras de dividir o povo; cada uma apropriada para um tipo de indiferença, egoísmo ou medo que exista no mundo; mas também porque vencer o povo já não gera as mesmas reações de antes. Houve um tempo em que, pelo menos, as pessoas podiam contar que o mundo encararia com universal opróbrio aqueles que afogassem em sangue a insatisfação popular com seu governo.

Mas tudo mudou depois que os Estados Unidos empregaram todo tipo de chicanas jurídicas para tornar ilegal o protesto do movimento Occupy Wall Street e, posteriormente, com a bênção de um judiciário recheado de conservadores, soltar os cachorros sobre os pacíficos manifestantes de uma maneira não muito diferente da repressão chinesa contra a seita Falun Gong. O mundo foi poupado de cenas emblemáticas como o “tank man”, mas isso foi mais pela censura à cobertura jornalística mainstream.

Um pouco antes, a ida de multidões às ruas do Egito fora vista pelo mesmo governo americano como algo alvissareiro, os protestos dos jovens líbios, uma prova de coragem. Depois que o OWS foi dissipado por meio de gás lacrimogêneo, balas de borracha e bombas de efeito moral, curiosamente mudou o tom das manifestações ianques sobre os continuados protestos egípcios, surgiu uma cautela curiosa quanto aos protestos sírios. Esperava-se um silêncio ensurdecedor sobre outros protestos.

Agora que a Turquia está tendo o seu próprio movimento de ocupação popular, em protesto contra um regime que se torna cada vez mais autoritário, os Estados Unidos falaram baixo, por meio de um funcionário de terceiro escalão. Falaram apenas para cumprir o script, porque não poderiam falar muito alto. Não depois de reprimirem manifestações populares, criarem o maior sistema de espionagem interna em tempos de paz que jamais se teve notícia, não depois de manterem por mais de uma década uma prisão ilegal onde são mantidos sem julgamento cidadãos suspeitos de crimes cometidos em outras jurisdições.

A assustadora perda de legitimidade moral pelo governo dos Estados Unidos é algo que deveria causar grande preocupação. Muitas vezes, a autoridade moral é eficaz para prolongar a paz, para costurar acordos, para promover o bem comum. Mas na falta de qualquer autoridade moral, resta apenas a autoridade das armas, e é bem possível que estas tenham de ser usadas com cada vez mais frequência.

Com a falta desta autoridade moral, os Estados Unidos não servem mais de exemplo positivo para o mundo. Em verdade, os países de tendência autoritárias tendem a exatamente imitar o que os EUA fazem: reprimindo manifestações, como na Turquia, criando redes internas de espionagem, como na Rússia e no Irã, criando acusações sem fundamento contra opositores ideológicos, e outras formas mais insidiosas. Em vez de ensinarem ao mundo sua democracia, os Estados Unidos agora ensinam a destruir a democracia. Felizes éramos nós no tempo em que eles apenas eram hipócritas, e praticavam fora de suas fronteiras coisas diferentes do que faziam em casa: ainda podíamos olhar para dentro deles e ver virtudes imitáveis. Hoje as virtudes deles parecem bem menos significativas. Acabou a hipocrisia, porque no fundo eles já não diferem. Restou só o discurso, mas de belos discursos não se faz melhor o mundo.


domingo, 9 de junho de 2013

Quando a Justiça Odeia

Não é nenhuma novidade mais que estamos vivendo um processo intenso de radicalização, com o terreno do centro sendo gradualmente comprimido pelos extremismos e com os rituais da democracia sendo estuprados em nome de interesses pessoais. Isto inclui os partidos, que planejam golpes ou eternização no poder, passa pelas instituições da sociedade civil, que frequentemente se fundam na defesa de privilégios e na construção de barreiras contra o outro, e pervade a sociedade como um todo, que começa a regurgitar episódios de ódio contra minorias raciais, ideológicas ou comportamentais.

Quando, porém, alguma voz nos tenta convencer de que não é tão grave assim a doença de nossa democracia, eis que uma voz rouca ecoa de dentro das cavernas, um promotor público utiliza o Facebook para mandar um recado à polícia de choque para que reprima com violência uma manifestação popular pois ele se encarregaria de arquivar o inquérito contra os responsáveis:
Alguém poderia avisar à tropa de choque que essa região faz parte do meu Tribunal do Júri e que se eles matarem esses filhos da puta eu arquivarei o inquérito policial.
Petista de merda. Filhos da puta. Vão fazer protesto na puta que os pariu… Que saudades da época em que esse tipo de coisa era resolvida [sic] com borrachada nas costas dos medras…
O ódio é incompatível com a justiça, isto é algo que nem seria necessário dizer. Infelizmente, o Brasil não só é um país onde tem feito falta enfatizar o óbvio — como as noções básicas de cidadania, direitos humanos, justiça, dignidade etc. — como é um país onde dizer o óbvio parece cada vez mais causa de escândalo. Quando o rei está nu, para evitar o escândalo, é necessário reagir com toda radicalidade diante de quem ameace dizer isso. Por isso, no Brasil de hoje, quem diz o óbvio costuma ser atacado com mais força do quem expressa o absurdo.

O que este promotor de justiça disse é absurdo, mas muita gente aplaude. Aplaude porque o ódio está na moda, especialmente entre os simpatizantes de forças políticas que vem sendo deixadas para trás pelo trem da história. Almejam descarrilar o futuro e, se possível, empurrar tudo de volta para trás. O reacionarismo precisa de muito ódio e violência, porque não é possível explicar racionalmente às pessoas porque elas devem abrir mão de tudo que tornou sua vida melhor nos últimos dez ou vinte ou trinta anos. O reacionarismo precisa subjugar porque não consegue convencer. Ele precisa de uma tropa de choque, e de um promotor previamente comprometido a arquivar os inquéritos contra os policiais que aceitem matar aqueles de quem o promotor discorda.

Cada dia que passa nós damos um passo rumo ao abismo. Episódios como esse nos mostram que o fundo do poço moral tem porão. Que não existem limites para a falta de ética, de cidadania e de responsabilidade. Quando um membro do judiciário exibe total descompromisso com a Lei, e mesmo com os princípios que norteiam a Lei, cabe perguntar como podemos confiar nessa justiça. Nessa justiça sem freios e sem controle externo, onde a punição para um discurso de ódio como esse se limita a uma “aposentadoria”.

Havia uma antiga piada contada por um amigo meu, estudante de Direito, segundo a qual a diferença entre um juiz e um advogado é que o advogado apenas acha que é Deus. Só uma piada de advogado, claro, mas esse promotor leva tudo isso muito a sério. Ele se arroga o direito de decidir sobre a vida e a morte de pessoas que não conhece, apenas porque simpatizam com um partido (isso segundo sua percepção, pois não há provas de que os manifestantes seriam exclusiva ou mesmo majoritariamente “petistas”). Se algum dia, em um curso de direito, houver a necessidade de exemplificar o que é “injustiça”, basta exibir o print dessa postagem desse promotor, que violou a constituição e se tornou um criminoso ao se tornar mandante de assassinatos (o fato de tais assassinatos não terem sido cometidos não diminuiu o fato de que ele os ordenou).

A continuidade deste promotor em seu cargo, após isso, é um estupro ao direito constitucional e uma cuspida na cara da sociedade. Principalmente porque, se ficar claro que um membro do judiciário pode cometer tal temeridade impunemente, a perspectiva é que, cada vez mais, as vozes das cavernas ousem berrar na cara do povo, especialmente do povo “petista” (ou seja, aqueles a quem os reacionários acusam de ser petistas) que eles não têm direitos.

O ovo da serpente já está no ninho. Resta saber se vamos ser tolerantes contra  a intolerância ou seremos capazes de mostrar organização para resistir ao desmonte da democracia por aqueles que têm saudades do tempo em que podiam dar “borrachadas” em quem protestava.

domingo, 19 de maio de 2013

Adeus Facebook: Está Chegando o Dia 31

Tenho uma promessa feita de excluir meu perfil do Facebook no dia 31 de maio de 2013. A promessa já era antiga, mas eu só a divulguei na própria rede social no final do mês passado porque, durante muito tempo, hesitei em tomar esta medida tão radical. Por mais que entendesse que a participação na rede social estava prejudicando vários aspectos de minha vida pessoal e profissional, eu ainda tinha alguma percepção de que continuar participando estava trazendo outros benefícios que compensavam. As últimas semanas, porém, foram me convencendo de que os lucros não são suficientes para cobrir os prejuízos.

Primeiro abandonei definitivamente as comunidades de debate, onde ideias diferentes permanentemente se chocam e nunca se chega a nenhum consenso. Depois abandonei as comunidades literárias, onde se fala de muita coisa (até de literatura) e nada se produz de interessante. Comecei a excluir amizades com pessoas que não conheço pessoalmente e com quem não interajo: essas pessoas podem ser testemunhas inúteis de coisas que digo e penso, ou  podem estar coletando informações contra mim. Se gostam, convido-as a assinarem os feeds de meus blogues. Até para a finalidade de futura sabotagem elas estarão melhor servidas.

Durante algum tempo mantive meu perfil ativo, comentando normalmente, testemunhando a árdua escalada do pensamento da maioria rumo ao trogloditismo. Pessoas que eu julgava esclarecidas aderindo a discursos de ódio, defendendo posições ultra-direitistas (ou ultra-esquerdistas, o que dá no mesmo). Pessoas que eu julgava bem informadas repetindo artigos superficiais, com acusações estúpidas. Pessoas que eu julgava sábias, cometendo erros crassos de julgamento.

São muitas as manifestações de boçalidade nas redes sociais. Desde o ódio imbecil contra o Brasil, expresso numa espécie de complexo de vira latas que idolatra tudo que é estrangeiro e execra tudo o que é nacional, como se nós fôssemos a escória da humanidade, até uma crença ingênua nas virtudes das potências imperiais, vistas como vestais da humanidade.

Em uma época na qual somos mais livres do que jamais fomos, a juventude que nunca teve que ouvir um “não” de seus pais se dedica a propagandear as virtudes da ditadura. Enquanto o país atravessa um longo processo de melhora, expresso até no desaparecimento dos carros velhos da paisagem de nossas cidades, tanta gente achando que vivemos os estertores do Armagedom. E quando temos a possibilidade de mudar o nosso destino através do democrático instrumento do voto, tanta gente vendo justamente nele a fonte da “corrupção”, que aparentemente, entre todas as nações do planeta, só existe aqui, e entre todas as épocas da história, parece ter surgido de dez anos para cá.

Aos poucos fui perdendo a paciência com isso, fui deixando de lado esses debates: ninguém vai ao pasto silenciar o zurro das mulas, apenas nos incomodamos quando vêm dar coices e cagar em nossas portas. Cada vez que eliminei algum desses laços, ficou mais leve a minha decisão, que não será antecipada e nem adiada.

O mais recente destes cortes foi o  mais surpreendente, ao ver uma pessoa a quem respeitava defender o direito da maioria de praticar bullying contra a minoria através do “humor politicamente incorreto” (através do questionamento do direito que os ofendidos têm de se sentirem ofendidos) eu simplesmente deixei de acreditar na possibilidade de um debate racional nas redes sociais. Ao que parece, a simples convivência ali contribui para nos empurrar para posições reacionárias. +Ligia+Mário e +Francisco que me desculpem, mas há coisas que eu resolvi não perdoar. Eu tenho a opção de não ouvir aquilo que considero absurdo demais. Deixem-me cá com as minhas ilusões de um mundo mais justo, no qual a força do número não seja usada para humilhar os poucos, no qual não se exija de quem propõe mudanças uma pureza superior à de quem sempre esteve no poder, no qual crenças fundamentalistas em conceitos abstratos não fiquem acima do desejo de construir um mundo melhor para todos.

Cá de fora terei mais tempo para viver a minha vida e, sinceramente, adquiri mais simpatia pelas Testemunhas de Jeová. Elas podem estar erradas, eu posso discordar delas, mas elas não ficam poluindo o mundo pela distribuição aos quatro ventos de tratados nos quais afirmam coisas que ofendem aos crentes de outras igrejas. Eles vêm de vez em quando, fazem seu comercial e vão embora sorrindo. Diferente dos reaças da internet, que pululam sem parar, atacando tudo, xingando quem pensa diferente, desacreditando de todo projeto de mudança, etc. Prefiro um mundo com mais pregadores em meu portão do que a internet embebida de reacionarismo. Porque o meu portão ainda está sob o meu controle, e se eu quiser fingir que estou dormindo no domingo de manhã ninguém me obrigará a ouvir o que dizem.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Há 6 Anos, Direto do Túnel do Tempo

Apresento abaixo uma série de prints retirados de uma comunidade do Orkut em julho de 2007. Não participo mais da comunidade (nem lembro, aliás, qual comunidade abrigou esta postagem), não tenho o link do autor do texto, não conheço sua identidade, não sei nem mesmo se “André” é o seu nome verdadeiro (suponho que sim, mas não afirmo). Deixo aqui essas imagens para discussão de quem se interesse, para preservar este momento único da história da internet, antes que alguma pane do meu HD envie para o buraco da memória.

domingo, 28 de abril de 2013

A Classe Média Aprendeu a Matar

O recente latrocínio cometido com requintes de crueldade contra uma dentista em São Paulo, com a vítima sendo queimada viva porque tinha somente R$ 30,00 em sua conta bancária, vem suscitando muito questionamento sobre os motivos do crime. Existe uma corrente sociológica, muito significativa no lado esquerdo do espectro político, segundo a qual o crime é uma reação dos excluídos a uma situação opressiva de miséria. Enquanto isso, no lado direito, a violência é vista como uma falha de caráter, um pecado cometido em plena consciência, por alguém dotado de pleno livre arbítrio. A solução proposta pelos primeiros é intensificar a redistribuição de renda, a dos segundos é prender e punir (coisas diferentes no jargão direitista, que vê a cadeia como uma espécie de colônia de férias).

Acredito que ambos os lados estão errados, embora não completamente. A verdade, como sempre, é complexa, fica no meio. Não é correto dizer que a causa da violência é exclusivamente a miséria econômica, ou teríamos mais crimes em países mais pobres (como a Índia e a Bolívia) e não é correto dizer que o criminoso faz uso de seu livre arbítrio, ignorando os condicionamentos a que somos submetidos.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Corra, Kim, que a Polícia do Mundo Vem Aí.

Potências imperiais gostam de brincar de polícia com o mundo. Claro, no papel da polícia e chamando de ladrão quem esteja no seu caminho. Pode ser um regime realmente maligno, como a Alemanha nazista, ou um governo bem intencionado e absolutamente inofensivo, como a Nicarágua sandinista. Pode ser um regime realmente adversário, como a URSS, ou um simplesmente um amigo que tinha o defeito de se preocupar com o próprio povo, como a Guatemala de Árbenz.

No fundo a política internacional é um jogo sujo, baseado na mais abjeta e escrota hipocrisia. Para as potências hegemônicas, principalmente, princípios não existem, apenas conveniências. Pelo pretexto de combater uma “ditadura” comunista, os EUA apoiaram durante mais de uma década a ditadura comunista e genocida do Khmer Vermelho contra o governo de reconstrução nacional criado pela intervenção vietnamita. Diz que se importa com a democracia na América, mas patrocinou, a partir do final do século XIX, as ditaduras mais cruéis e caricatas da história de cada um dos países ao sul do Río Grande. Rejeita a legitimidade das eleições venezuelanas, atestada por observadores internacionais, mas teve um presidente eleito em um pleito marcado pela fraude e pela obscuridade e há menos de um ano abençoou um pleito mexicano com sinais evidentes de trapaça. E enquanto tenta erradicar o extremismo religioso talibã no Afeganistão, mantém a Arábia Saudita como “nação mais favorecida” de seu comércio, justamente o país de onde emana a maior parte do fundamentalismo islâmico de hoje.

Infelizmente, as pessoas se esquecem muito fácil desse passado de crimes dos Estados Unidos contra a soberania de outros países, esquecem das mentiras que inventaram para justificar intervenções nas quais o único interesse a se preservar era o de Wall Street. Agora a máquina de propaganda ianque está a todo vapor tentando criar um pretexto para aniquilar a deprimente Coreia do Norte, último reduto comunista tr00 deste planeta. E uma quantidade enorme de macacas de auditório senta e levanta ao ritmo ditado pela imprensa, aplaudindo e apupando conforme quem aparece tenha olhos amendoados ou não.


sexta-feira, 5 de abril de 2013

Já que Castro Alves não Está Vivo para Defender-se

Recente artigo de autoria da “psicóloga cristã” Marisa Lobo publicado no portal GospelMais procurou diminuir o peso das bobagens ditas a respeito da África pelo pastor e dublê de deputado Marco Feliciano. Já que as declarações do indivíduo são indefensáveis perante o bom senso (embora não perante a justiça que, neste país, tem apenas uma relação remota com tal conceito), é de se esperar que a autora tente encontrar autoridades para referendá-las. De preferência autoridades mortas, que não reclamarão de serem alistadas como guarda costas das ideias tramontanas do tartaruga.1

Buscar autoridades para apoiar algo que é uma bobagem óbvia não diminui o tamanho do erro do que foi dito, ainda mais quando, para justificar uma peruada dita a respeito de um tema científico (no caso também teológico) você evoca uma autoridade literária. Mas fica ainda mais injusto quando um pobre poeta do século XIX é sequestrado pelo discurso de intolerância, e justamente um poeta que dedicou sua vida a combater justamente o obscurantismo e o racismo! Que buscassem algum outro poeta eu não me importaria, pois houve vários outros, filhos de seu tempo, que não conseguiram elevar-se acima da turba. Mas Castro Alves!

terça-feira, 2 de abril de 2013

Hugo Chávez e o Herói Padrão de Lord Raglan

Você provavelmente já deve ter percebido algo de estranho na recorrência de certas características na biografia de personagens mitológicos (e às vezes personagens históricos). É como se a maioria dos nomes famosos tivesse em comum algo além da fama em si. Pode parecer teoria de conspiração barata, mas essa impressão não é fruto de sua imaginação: ela já foi detectada, estudada e sistematizada por historiadores. Enfim: já se comprovou que existe mesmo um padrão que se aplica à maioria dos relatos biográficos, hagiográficos ou mitológicos de personalidades reais, mitificadas ou míticas.

A comprovação está em uma obra intitulada “O Herói: Um Estudo da Tradição, da Mitologia e da Literatura” — publicada em 1936 pelo folclorista britânico FitzRoy Somerset, Barão de Raglan. Nesta obra, Lord Raglan sintetizou 22 características que são encontradas nos relatos sobre uma grande variedade de personagens reais ou não. Não são as únicas características compartilhadas, mas as que mais frequentemente se repetem.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Lula Volta dos Mortos Para Levar Brasil ao Comunismo

O filósofo Olavo de Carvalho, em seu maravilhoso seminário de filosofia pela internet, já nos adverte há vários anos dos perigos relacionados ao lulopetismo que se eterniza desgraçadamente no poder, difundindo mentiras teológicas marxistas e contribuindo para manter em evidência a mentira newtoniano-einsteiniana da física esquerdista, base sobre a qual se constrói a famigerada conspiração internacional contra a liberdade e a autodeterminação dos povos encabeçada por Fidel Castro. Sob a capa de uma “legalidade” essa gente decidiu nos arrastar à força para o século XXI, apesar de todos as advertências. O que nos aguarda é uma sandinização de nossa política, afastando-nos das melhores influências.

Pois eis que surgem notícias nada alvissareiras, justo quando achávamos que a Providência Divina já se encarregava de varrer para o lixo os regimes títeres do lulocastrismo inspirado no Khmer Vermelho, graças a eleições limpas e seguras no México, à independência dos poderes paraguaios, à vigilância dos magistrados hondurenhos, inclusive abreviando a própria vida do ditador Hugo Chávez, cuja inexplicável morte plantou sementes de esperança em toda a América do Sul. Os institutos de pesquisa, aparentemente vendidos ao governo, ou enganados por suas falcatruas, alardearam que a búlgara bolchevista goza (só metaforicamente) de 67% de aprovação espontânea, sendo lembrada por quase a metade dos eleitores desse país!

É verdade que esses números são discutíveis, porque não levam em consideração os efeitos do poder moderador das lideranças políticas locais sobre as ilusões do povo, e ainda mais porque não descontam o impacto certeiro que a humilhante derrota da seleção brasileira no assim chamada “Copa do Mundo” trará à credibilidade do projeto de construção de longo prazo da hegemonia stalinista nesse país. Mesmo assim são números preocupantes, visto que o povo inculto parece que se deu a organizar abaixo assinados e campanhas de desinformação contra o noticiário factual e exato da imprensa. Se mantidos números próximos destes, é possível que as próximas eleições nos amaldiçoem com um quarto mandato comunista, sacramentando a hegemonia dos cabeças chatas e dos crioulos sobre os melhores cidadãos dos Estados Unidos do Brasil.

Estamos em um momento decisivo, e as forças libertadoras deste país não podem perder um só minuto ou não será possível livrar o Brasil deste Governo irresponsável, que insiste em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições. Precisamos agir logo, com a radicalidade que o momento exige, para que tenhamos um governo capaz de nos permitir, desde hoje, encarar o futuro confiantemente, certos, enfim, de que todos os nossos problemas terão soluções, pois os negócios públicos não mais serão geridos com má-fé, demagogia e insensatez.

Mas eis que homens de fé e de valor se levantam contra a onda malsã que parecia invencível. Secundado pelo apoio tempestivo de boa parte, ou melhor, da parte boa da população brasileira, o deputado Pastor Marco Feliciano encabeça esse resgate tão necessário. Esperemos que uma onda de adesões consiga sufocar a maré vermelha que nos acossava.

Este não deve ser um movimento partidário. Deve haver uma Causa maior, acima de todos os homens bons da Pátria. Deus somente deve orientar aos bons homens para que encontrem conselho divino e resgatem os valores da família e da propriedade. Mais uma vez, ao povo brasileiro só resta o socorro da Providência Divina, que nos permitirá vencer a conspiração internacional contra a nossa liberdade, expulsar as tropas vermelhas venezuelanas e cubanas que já andam a substituir nossas forças armadas subrepticiamente, sob a capa de médicos de família e técnicos da indústria de petróleo. Somente em Deus devemos confiar e esperar. Sejamos dignos de tão grande favor

domingo, 17 de março de 2013

Bem Aventurados os que Têm Fome e Sede de Justiça, Só que Não.

Apenas hoje tomei conhecimento de uma frase do Luiz Filipe Pondé, colunista da Folha de São Paulo, que procura igualar o sentimento antiamericano com uma inveja infantil do sucesso alheio. Minha primeira reação foi de incredulidade, porque um filósofo cometer uma falácia baixa como essa não é algo que se vê todo dia. Mas, como o Brasil é um lugar onde qualquer um com certa cultura perceptível pode ser chamado “filósofo” e qualquer um que ponha linhas curtas em sequência com rimas ocasionais ou figuras de linguagem pode ser chamado de “poeta”, eu acabei aceitando a validade da frase, o que me preparou para constatar que ela realmente foi escrita e publicada pelo jornal. Feito que desonra ao autor e ao veículo que o publicou, mas assim são as coisas da vida.
Os americanos fizeram o país mais rico do mundo num curto espaço de tempo sem ficar gemendo ou culpando os outros ou pedindo "Bolsa Família". Em vez de babar de inveja dos Estados Unidos, deveríamos aprender com eles.

O discurso da inveja é uma das muitas falácias de envenenamento da fonte empregadas pela direita para desqualificar as teses e ideais da esquerda. Outra destas estratégias é igualar a fascismo, socialismo ou outro ismo qualquer ação coletiva de resistência a mudanças indesejadas ou de demanda por mudanças. Ainda vou dedicar algum tempo para elencar esses discursos em um todo coerente.

Direito de Escolha e Direito de Resistir

A ideologia da direita ensina que, diante de qualquer coisa errada,  devemos nos omitir ou então adotar uma saída individual. Um caso clássico é a programação da televisão: se acha ruim, troque de canal, mas não proteste, nem processe e nem tente enquadrar na lei. O povo nunca pode organizar-se para nada, pois isso seria “coletivismo”, “corporativismo”, “comunismo”. Anátema, enfim.

Acontece que a liberdade de escolha é uma ilusão, quando a escolha só pode se dar entre alternativas predeterminadas. Se eu só tenho dois ou três canais de televisão, eu não tenho escolha. Se eu só tenho quatro ou cinco marcas de carro, eu não tenho escolha. Escolha existe numa biblioteca, entre milhares de títulos. Não no supermercado, entre sete ou oito marcas, muitas vezes fabricadas por empresas relacionadas ou unidas em cartéis e oligopólios.

terça-feira, 12 de março de 2013

O Estelionato Eleitoral Praticado Pela Esquerda

A direita chama de populismo qualquer coisa que beneficie o povo: reforma educacional é populismo, corte de imposto é populismo, reforma agrária é populismo, concurso público é populismo, fazer escola é populismo, abrir estrada é populismo. Fica parecendo que a função do governo não é trazer benefício ao povo. Como a boca fala aquilo de que o coração está cheio, essas pessoas provavelmente acham que o governo existe para beneficiar uns poucos e para desviar dinheiro público para contas na Suíça. Quero crer, porém, que só uma minoria pensa assim: a maioria simplesmente não sabe para que serve um governo, e nem como ele pode chegar aos seus objetivos.

Digo que as pessoas acham errado beneficiar o povo porque praticamente todas as medidas tomadas positivas que foram tomadas em benefício do povo nos últimos vinte anos (sim, o Fernando Henrique também beneficiou o povo, mesmo que por descuido) foram criticadas como populistas. Todos os aumentos de salário mínimo acima da inflação foram tachados de populistas, a queda dos juros é populista, a expansão do financiamento imobiliário é populista, redução de impostos sobre bens de consumo é populista … e segue uma série imensa de adjetivações.

Esse populismo tem, claramente, um objetivo eleitoral. Como se fosse errado ter objetivos eleitorais. Vivemos em uma democracia, na qual os governantes precisam ser confirmados periodicamente, e não em uma monarquia vitalícia e hereditária que nunca presta contas de seus atos. Claro que o governo precisa mostrar serviço para que o povo reconheça seu valor e o reeleja. Está para nascer um governante que trabalhe incansavelmente para ser derrotado na eleição seguinte.

Claro que é errado ter objetivos exclusivamente eleitorais, priorizar medidas de curto prazo. Quem faz isso muitas vezes o faz por não ter a competência de capitalizar em cima de projetos de grande envergadura. Mas se for errado pensar em fazer o bem ao povo para colher votos então qual é o sentido que resta à política? Na minha opinião, esse tipo de crítica ao populismo revela é desprezo pela democracia.

Como se fosse errado pensar em beneficiar o cidadão comum, como se este não fosse cidadão. Como se fosse ideal beneficiar a poucos, em vez de beneficiar a muitos. Essas medidas são classificadas de estelionato eleitoral, como se fosse uma falha moral o povo votar em quem lhe atende, como se o certo fosse governar sem fazer nada pelo povo e esperar ter o seu voto.

No fundo isso mostra que existe uma incompatibilidade insanável entre o pensamento e o projeto da direita, de um lado, e as ferramentas e objetivos de uma democracia. A democracia é uma entidade essencialmente esquerdista, construída por revoluções e reivindicações. O direitista transita nela como quem enfrenta o inevitável, como quem é obrigado a morar na casa construída por seu inimigo.

A Moda É Ser Idiota

“Idiota” era como os gregos chamavam aqueles cidadãos que cuidavam exclusivamente de seus negócios pessoais e não participavam da vida política. Somente muito mais tarde a palavra ganhou um sentido mais negativo. Fazia parte do conjunto de crenças comum a todos os gregos que cada cidadão deveria ser responsável pelo governo de sua cidade. De tal forma se valorizava isso que a participação em certos órgãos governamentais, como o tribunal do Areópago, em Atenas, ou a assembléia dos éforos, em Esparta, era, em certa época, sorteada entre todos os homens aptos. Esse era o conceito de “liberdade” defendido pelos antigos filósofos: livre era o homem que era dono de si, não possuía senhores. A liberdade era contraposta à escravidão.

Quando o pensamento grego foi revalorizado, a partir da Renascença, o conceito de liberdade dos gregos pareceu anacrônico e inadequado. Era impossível governar países extensos com base em uma democracia direta, da qual todos os cidadãos participassem por sorteio, mesmo que fossem considerados cidadãos apenas os nobres. Não obstante, certos estados menores, como a Holanda e as cidades livres hanseáticas, tiveram uma forma de governo razoavelmente parecida, na qual todos os “homens bons” tinham sua voz ouvida.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Sobre a Eliminação Física de Líderes Inimigos pelos Serviços Secretos

Os fatos relacionados à doença e morte do presidente venezuelano Hugo Chávez estão causando certa polêmica desde que o presidente em exercício, Nicolás Maduro, acusou abertamente o governo dos Estados Unidos, através da CIA, de ter causado o câncer que veio a matar o falecido líder. É uma afirmação grave, que dificilmente seria feita de forma leviana por um chefe de estado — certamente os venezuelanos têm suas razões para desconfiar de que os eventos fatídicos que levaram ao óbito do mandatário foram extraordinários — mas o bom senso recomenda que não turvemos nossa visão da realidade com os óculos unidimensionais da ideologia. Antes de ridicularizar humoristicamente os que acreditam nesta teoria, ou demonizar como cúmplices do Mal aqueles que celebram a morte de Chávez sem acreditar em qualquer fato não natural, é preciso fazer alguma pesquisa de fundo para avaliar a plausibilidade do que disse o atual chefe de estado venezuelano.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Quinta Coluna em Festa: Morreu o Líder Simbólico da Autonomia Latinoamericana

Desde imediatamente antes da Segunda Guerra Mundial, mas muito mais intensamente depois que o Brasil entrou no conflito contra o Eixo, era costume nossa imprensa chamar de «quinta coluna» o conjunto dos simpatizantes do inimigo que existiam no seio de nossa própria sociedade. Inicialmente o texto tinha um cunho ideológico, e se referia, por exemplo, aos integralistas (cuja ideologia tinha muitos pontos de contato com o fascismo), mas logo adquiriu um teor racista, servindo para atacar os imigrantes alemães, austríacos, italianos e japoneses, bem como seus descendentes. A quinta coluna era temida pela sua capacidade de «atacar de dentro» no caso de início de hostilidades, mas também pelo potencial de incapacitarem o país, seja sabotando suas forças armadas, seja paralisando seu processo político rumo a uma «neutralidade» útil ao inimigo.

A origem do termo não é nobre. Foi cunhado pelo general falangista Emilio Mola, que lutava contra o governo republicano durante a triste Guerra Civil Espanhola. Mola afirmou à imprensa que a marcha de suas quatro colunas de soldados sobre Madrid seria facilitada pela atuação de uma quinta coluna, formada por simpatizantes civis localizados na cidade. De fato Madrid caiu rapidamente, obrigando o governo republicano a refugiar-se em Barcelona na fase final da guerra.


segunda-feira, 4 de março de 2013

O Trote como uma Expressão do Conservadorismo Social Brasileiro

Sempre fui contra o trote, e isso independe de ser trote machista, homofóbico ou o que seja. Minha análise é visceral: o trote é um instrumento de controle da ascensão social das classes oprimidas, originalmente concebido para uso direto das classes opressoras e posteriormente manipulado em seu nome pelos anteriormente aceitos, criando uma “cultura” continuísta deletéria a todos os valores que supostamente são praticados na vida acadêmica. E o trote brasileiro, como costuma acontecer por aqui com quase tudo, tem adquirido gradualmente um aspecto cada vez mais bestial.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O Mundo Mudou, e Eu Não me Encontro Mais Nele

Quando eu era adolescente, a gente tinha uma intuição secreta de que todos mentiam para nós, o tempo todo. Sabíamos mais ou menos que estávamos saindo de uma ditadura, havia uma certa perplexidade com a televisão, que exibia nu frontal em propaganda do jeans Villejack e um busto feminino nu em uma propaganda de iogurte. Havia algumas vozes dissonantes na mídia: bandas de rock e pop que criticavam o «sistema» com versos que denunciavam a manipulação da opinião pública pelo governo: Plebe Rude, Capital Inicial, Lobão, Legião Urbana. Os mais comportados, claro, faziam mais sucesso: Kid Abelha, Biquíni Cavadão, Ultraje a Rigor, Marina Lima. Havia uma sensação generalizada de que era preciso questionar o que aparecia. Os «descolados» eram os que traziam esse ceticismo. Chamavam-nos a um canto e diziam: a televisão mente para você, o governo mente para você. As teorias de conspiração rolavam soltas, desde as de fundo místico, como o menino diabo paulista, até as mais politizadas, que diziam que as vacinas eram usadas pelo governo para marcar as pessoas. À medida em que fomos crescendo, essa desconfiança em relação à informação disponível nos levou a buscar conhecimento. Algumas dessas crenças e desconfianças desapareceram diante da luz dos fatos, outras apenas mudaram de forma.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

As Redes Antissociais

Cada dia que passa me trombo com novas evidências de que as redes sociais têm, no fundo, um modus operandi diferente do ideal que é propalado pelos seus entusiastas. Com todos os seus defeitos, a Deep Web me parece ser o espaço realmente revolucionário, onde a promessa de liberdade anárquica da rede se cumpre. Redes sociais são cercadinhos mentais, que impedem o desenvolvimento do espírito crítico.

Não sei até que ponto isto é defeito colateral ou uma característica designada. As redes sociais, afinal, não foram criadas com finalidade política, mas meramente como uma espécie de correio galante. A única delas que ofereceu ferramentas realmente eficazes para o contraponto de ideias foi o Orkut, mas ele já não faz parte dos planos de ninguém.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Vá Pelo Raso, meu Filho

Para todo fato complexo existe uma explicação simples... e furada.

Quanto mais simples a pessoa, maior sua tendência a buscar explicações simples, para não ter que lidar com ideias complexas.

A grande ilusão de nosso tempo é substituir o esforço pela mágica. A malhação pelo anabolizante, a construção pela prefabricação, a dieta e o exercício pelo remédio milagroso que "seca gordura", o conhecimento profundo pelas teorias rápidas e redutoras.

A internet é o veículo destas simplificações, que apelam aos simples.

Quem não sabe nadar, procura cruzar o rio pelo vau.

Radicalismo Anarcomiguxo: o Sonho da Soberania Individual

Você talvez nunca tenha ouvido a expressão “homem livre na terra”, nem sua formulação original em inglês (free man of the earth), mas se acompanha este blogue e outros que estudam o fenômeno anarcomiguxo já deve ter uma compreensão instintiva do assunto que abordo hoje: a aspiração, não, o sonho de abandonar a sociedade corrupta e viver em liberdade, fora de seus limites. Sente-se e relaxe, você está de novo embarcando rumo aos abismos da argumentação libertária. Vem comigo!

sábado, 12 de janeiro de 2013

Redistribuição de Renda "for Dummies"

Certos conceitos são melhor entendidos quando transportados do terreno vago da terminologia para a solidez do dia a dia. Um exemplo é a tal “redistribuição de renda” de que tantos políticos falam, e que tanta gente é contra ou a favor sem nem saber o que é. Tentarei demonstrar como isso funciona usando como exemplo uma recente campanha no Facebook contra um supermercado de minha cidade natal que passou a cobrar pelas entregas em domicílio. Segundo a campanha, a cobrança seria desta forma:
  • R$ 6,00 por entregas no “centro da cidade”,
  • R$ 10,00 por entregas em “bairros próximos”,
  • R$ 15,00 por entregas em “bairros distantes”.