domingo, 19 de maio de 2013

Adeus Facebook: Está Chegando o Dia 31

Tenho uma promessa feita de excluir meu perfil do Facebook no dia 31 de maio de 2013. A promessa já era antiga, mas eu só a divulguei na própria rede social no final do mês passado porque, durante muito tempo, hesitei em tomar esta medida tão radical. Por mais que entendesse que a participação na rede social estava prejudicando vários aspectos de minha vida pessoal e profissional, eu ainda tinha alguma percepção de que continuar participando estava trazendo outros benefícios que compensavam. As últimas semanas, porém, foram me convencendo de que os lucros não são suficientes para cobrir os prejuízos.

Primeiro abandonei definitivamente as comunidades de debate, onde ideias diferentes permanentemente se chocam e nunca se chega a nenhum consenso. Depois abandonei as comunidades literárias, onde se fala de muita coisa (até de literatura) e nada se produz de interessante. Comecei a excluir amizades com pessoas que não conheço pessoalmente e com quem não interajo: essas pessoas podem ser testemunhas inúteis de coisas que digo e penso, ou  podem estar coletando informações contra mim. Se gostam, convido-as a assinarem os feeds de meus blogues. Até para a finalidade de futura sabotagem elas estarão melhor servidas.

Durante algum tempo mantive meu perfil ativo, comentando normalmente, testemunhando a árdua escalada do pensamento da maioria rumo ao trogloditismo. Pessoas que eu julgava esclarecidas aderindo a discursos de ódio, defendendo posições ultra-direitistas (ou ultra-esquerdistas, o que dá no mesmo). Pessoas que eu julgava bem informadas repetindo artigos superficiais, com acusações estúpidas. Pessoas que eu julgava sábias, cometendo erros crassos de julgamento.

São muitas as manifestações de boçalidade nas redes sociais. Desde o ódio imbecil contra o Brasil, expresso numa espécie de complexo de vira latas que idolatra tudo que é estrangeiro e execra tudo o que é nacional, como se nós fôssemos a escória da humanidade, até uma crença ingênua nas virtudes das potências imperiais, vistas como vestais da humanidade.

Em uma época na qual somos mais livres do que jamais fomos, a juventude que nunca teve que ouvir um “não” de seus pais se dedica a propagandear as virtudes da ditadura. Enquanto o país atravessa um longo processo de melhora, expresso até no desaparecimento dos carros velhos da paisagem de nossas cidades, tanta gente achando que vivemos os estertores do Armagedom. E quando temos a possibilidade de mudar o nosso destino através do democrático instrumento do voto, tanta gente vendo justamente nele a fonte da “corrupção”, que aparentemente, entre todas as nações do planeta, só existe aqui, e entre todas as épocas da história, parece ter surgido de dez anos para cá.

Aos poucos fui perdendo a paciência com isso, fui deixando de lado esses debates: ninguém vai ao pasto silenciar o zurro das mulas, apenas nos incomodamos quando vêm dar coices e cagar em nossas portas. Cada vez que eliminei algum desses laços, ficou mais leve a minha decisão, que não será antecipada e nem adiada.

O mais recente destes cortes foi o  mais surpreendente, ao ver uma pessoa a quem respeitava defender o direito da maioria de praticar bullying contra a minoria através do “humor politicamente incorreto” (através do questionamento do direito que os ofendidos têm de se sentirem ofendidos) eu simplesmente deixei de acreditar na possibilidade de um debate racional nas redes sociais. Ao que parece, a simples convivência ali contribui para nos empurrar para posições reacionárias. +Ligia+Mário e +Francisco que me desculpem, mas há coisas que eu resolvi não perdoar. Eu tenho a opção de não ouvir aquilo que considero absurdo demais. Deixem-me cá com as minhas ilusões de um mundo mais justo, no qual a força do número não seja usada para humilhar os poucos, no qual não se exija de quem propõe mudanças uma pureza superior à de quem sempre esteve no poder, no qual crenças fundamentalistas em conceitos abstratos não fiquem acima do desejo de construir um mundo melhor para todos.

Cá de fora terei mais tempo para viver a minha vida e, sinceramente, adquiri mais simpatia pelas Testemunhas de Jeová. Elas podem estar erradas, eu posso discordar delas, mas elas não ficam poluindo o mundo pela distribuição aos quatro ventos de tratados nos quais afirmam coisas que ofendem aos crentes de outras igrejas. Eles vêm de vez em quando, fazem seu comercial e vão embora sorrindo. Diferente dos reaças da internet, que pululam sem parar, atacando tudo, xingando quem pensa diferente, desacreditando de todo projeto de mudança, etc. Prefiro um mundo com mais pregadores em meu portão do que a internet embebida de reacionarismo. Porque o meu portão ainda está sob o meu controle, e se eu quiser fingir que estou dormindo no domingo de manhã ninguém me obrigará a ouvir o que dizem.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Há 6 Anos, Direto do Túnel do Tempo

Apresento abaixo uma série de prints retirados de uma comunidade do Orkut em julho de 2007. Não participo mais da comunidade (nem lembro, aliás, qual comunidade abrigou esta postagem), não tenho o link do autor do texto, não conheço sua identidade, não sei nem mesmo se “André” é o seu nome verdadeiro (suponho que sim, mas não afirmo). Deixo aqui essas imagens para discussão de quem se interesse, para preservar este momento único da história da internet, antes que alguma pane do meu HD envie para o buraco da memória.